Quando o desespero vira método: a crueldade cotidiana de No Other Choice
- Beatriz Assis

- há 3 dias
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Atualizado: há 2 dias

No Other Choice foi uma surpresa real. Entrei achando que ia ser ok e saí completamente comprada. O filme parte de um problema extremamente atual e escolhe tratá-lo com um humor torto, quase cruel, que funciona demais. A ideia do protagonista concluir que, para ser aprovado em uma entrevista de emprego, só precisava eliminar os concorrentes literalmente é tão absurda quanto pertinente. Eu ri. Depois, fiquei chocada.
Lee Byung-hun está absurdo aqui. E o mais interessante é justamente o fato de Man-soo não ser um homem violento nem um assassino em essência. Ele é um pai, um marido, alguém desesperado tentando não cair de prateleira em um sistema que pune qualquer escorregão. A violência não nasce dele, mas da pressão constante de permanecer relevante.
É fascinante como Park Chan-wook mistura melodrama, comédia e violência para falar sobre o comportamento humano diante da perda de status. Quem sobe costuma se adaptar rápido, mas e quando você precisa descer? A resposta de Man-soo é cruel e primitiva. O mais perturbador é vê-lo passar a enxergar a violência como último recurso de sobrevivência social, não só para si, mas para toda a família.
Man-soo é atrapalhado e caótico, e as cenas de violência são desajeitadas justamente por refletirem esse personagem. Nada ali é elegante ou controlado. A fotografia é linda e, na minha leitura, acompanha muito bem esse aspecto mais caótico do filme. Uma das cenas mais bonitas, para mim, é a da visão através do copo de uísque de Man-soo, um instante de forma e conteúdo perfeitamente alinhados.
Não posso deixar de falar de como Son Ye-jin está ótima. Ela e os filhos têm espaço real na trama, o que faz toda a diferença. A filha violinista, ditando o ritmo emocional da narrativa, foi a cereja do bolo para mim. Claramente, No Other Choice é um dos melhores filmes de 2025.




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