Entre a lucidez e o delírio: Bugonia e a lógica torta de Yorgos Lanthimos
- Beatriz Assis
- há 3 dias
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Atualizado: há 2 dias

Preciso urgentemente do contato da psicóloga do Yorgos Lanthimos, porque ele claramente não tá bem.
Bugonia é esquisito do jeito que só Lanthimos sabe ser. Polêmico, desconfortável e calculado até o último milímetro, o filme parte de uma ideia que parecia pedir uma crítica afiada ao nosso presente paranoico. No caminho, porém, escorrega para uma sátira que mais observa do que realmente aprofunda. Ainda assim, Bugonia funciona. Não como deveria, talvez, mas funciona.
O que mais me pegou em Bugonia, novo filme de Yorgos Lanthimos, é como a narrativa brinca com a noção de loucura: quem parece insano pode estar mais perto da verdade do que quem se acha perfeitamente racional.
Existem várias formas de enxergar o mundo e nem sempre a sua é a certa. Lanthimos entende isso, mesmo quando parece mais interessado em exibir seu estilo autoral do que em desenvolver seus personagens.
Emma Stone, presença constante no cinema de Lanthimos, está absurda mais uma vez. Física, silenciosa, magnética. Mas é impossível não destacar Jesse Plemons, que entrega uma atuação fenomenal, sustentando o delírio do filme com convicção suficiente para nos fazer duvidar de tudo. Os últimos 30 minutos são puro caos bem ritmado, daqueles que te fazem levantar do sofá e pensar: ok, ele foi até o fim.
Não sei se assistiria a Bugonia de novo. Mas, como primeira experiência, foi excelente. Um filme que mais provoca do que responde, mais observa do que julga e que confirma que, às vezes, o que chamamos de loucura é só outra forma de lucidez.
